quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O conto da aia, por Amanda Vitória




 

Por Amanda Vitória



Escrito em 1984, por Margaret atwood e publicado em 1985, O conto de aia foi um dos livros mais vendidos em diversos países. O livro conta que os Estados Unidos foram transformados em um Estado religioso e totalitário. Em meio ao caos que se instalava no mundo com direito a desmatamento, poluição, radiação, doenças sexualmente transmissíveis, entre outros, um grupo de jovens religiosos aplica um golpe e funda um estado totalitário.


Nesse estado as mulheres, homossexuais e minorias seriam perseguidos e caçados por não seguir as ideias empregadas. Por causa dos acontecimentos em relação ao meio ambiente as mulheres começaram a ficar inférteis e a fertilidade se tornou raridade. Assim, as mulheres foram oprimidas e perderam todos os seus direitos, sua liberdade e identidade tornando-se um objeto, propriedade do estado. As mulheres foram desumanizadas e divididas em classes. Elas são: as esposas, que são as donas de casa, companheira do homem. As martas, as empregadas das esposas e as aias que são as mulheres férteis, nelas são feitas uma lavagem cerebral e assim rebaixadas apenas à procriação. No livro acompanhamos a história de Offred uma aia que é levada para a casa de um enigmático comandante do alto escalão do exército e sua esposa. Descobrimos no início do livro que Offred tinha uma vida normal, um marido e uma filha. Depois dos acontecimentos do estado, a filha foi encaminhada para um orfanato e Offred não sabe onde está localizado o marido. Deste de então Offred se agarra a esperança de encontrar-lhes o paradeiro.

 

O conto da aia é um livro realmente impactante. Não é para qualquer um lê-lo, em vários momentos tive que parar de ler para refletir ou dar um tempo do livro por ser uma leitura que, muitas vezes, te traz uma sensação ruim. Um ponto forte da obra é a narrativa, que em muitos momentos era interrompida por lembranças de offred, passados distantes ou até mesmo possíveis futuros. Para mim esse foi um ponto difícil porque sempre que esses flashbacks eram mostrados nenhum aviso era dado ou uma introdução era feita para receber aquelas lembranças, mas claro isso só ressalta que a leitura tem que ser com muita atenção, se não a sua linha de pensamento vai ficar muito confusa.


E por isso, durante a minha leitura eu tive que, em vários ocasiões, voltar algumas páginas ou parágrafos para entender o que realmente estava lendo. Outro ponto que na minha experiência foi muito ruim foi o desenvolvimento em relação à narrativa. A narrativa foi arrastada e cansativa para mim e isso me deixou muito desanimada no começo, mas o enredo parecia tão bom que eu me esforcei a ler e no fim valeu a pena.


Esse livro foi sem dúvida o mais chocante que eu já li, você realmente se vê em desespero pela situação da personagem. O sentimento de impotência é forte e eu não sinto que tenha saída para aquelas mulheres. Durante vários momentos na narrativa você se sente angustiada e sem esperança. Em um determinado momento do livro a escritora lhe passa um pouco de esperança para aquela situação, uma luz no fim do túnel. No final, o que me deixou mais sensível no livro foi como o direito da mulher é frágil e como isso reflete no mundo atual e que temos que lutar por esses direitos todos os dias.

 

Enfim, várias coisas do livro são muito semelhantes ao nosso passado e presente e se deixarmos será parte do nosso futuro. E esse é o ponto: nós deixaremos? Porque o ser humano é imprevisível e situações parecidas já aconteceram antes, então o que impede de acontecer futuramente?

 

Se você quer refletir e desconstruir o pensamento ingênuo de que a humanidade é justa esse é o livro certo.

 

Um livro sensacional e impressionante que precisa de muita atenção e foco mas que no final vale muito a pena.


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Amanda Vitória (BH/MG) tem 17 anos e é estudante. Faz parte do projeto Adotando leitores.


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